Justiça nega pedido de transferência de suspeito de desviar dinheiro de campanha do filho

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Ele iria para Ponte Nova. Porém, no Presídio de Conselheiro Lafaiete, onde ele está preso, não há viatura para fazer o transporte.

A Justiça de Conselheiro Lafaiete, na Região Central de Minas Gerais, indeferiu o pedido de transferência de Mateus Henrique Leroy Alves, de 37 anos, Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de ter desviado o dinheiro obtido por meio de doações, que serviriam para a compra de medicamentos para o tratamento do filho de um ano e sete meses.

Mateus seria transferido para o Complexo Penitenciário de Ponte Nova. Mas por causa da distância e a falta de viatura no Presídio de Conselheiro Lafaiete, ele vai ficar na cidade para participar das audiências na Justiça.

A Polícia Civil já concluiu o inquérito sobre o caso. Mateus Henrique foi indiciado pelos crimes de estelionato, apropriação e desvio de valores de pessoa portadora de deficiência, abandono material e falsa comunicação de crime.

Ao todo, as investigações revelaram que o suspeito gastou mais de R$ 600 mil dos cerca de R$ 1 milhão.

R$ 7 mil gastos em motel de BH
A vida de ostentação do suspeito começou em Minas Gerais. Os investigadores descobriram que, durante nove dias de maio, ele gastou mais de R$ 7 mil para se hospedar em um motel em BH. Ele ficou na suíte mais luxuosa, onde há adega com vinho importado, frigobar, espaço gourmet, jukebox e TV a cabo. O quarto tem até barra de pole dance, banheira de hidromassagem e luz especial.

A defesa diz que Mateus estava sendo vítima de extorsão.

“A história que ele me contou parece que é a mesma que ele já contou para o delegado, que ele foi, na verdade, extorquido, né? [Isso aconteceu] quando ele foi para Belo Horizonte fazer um curso de segurança. Um curso interessante, porque parece que foi a própria irmã que pagou. Ele foi fazer o curso e conheceu uma pessoa que o levou até uma boca de fumo. Nessa boca, ele comprou droga (…) e pensou em fazer uma sociedade com um traficante. Esse traficante, então, talvez não sei se já sabia ou investigou um pouco sobre o Mateus, descobriu sobre a campanha, dos valores da campanha e, em cima disso, começou a extorquir [dinheiro] do Mateus”, disse o advogado Túlio César de Melo Silva.

Até a polícia fez campanha
Em Conselheiro Lafaiete, a atitude do pai que parecia ser amoroso e preocupado com o filho doente foi motivo de espanto e revolta.

“Como que ele rouba o dinheiro do próprio filho que está doente?”, questionou a vendedora ambulante Aparecida de Souza.

“Todo mundo ficou sem entender o porquê. Porque ele ajudou nas campanhas também. A gente também ajudou, tirando da gente pra poder doar, né”, questionou a dona de casa Josiane Soares.

Até a polícia fez campanha por João Miguel. “A Polícia Civil também se mobilizou, nós fizemos uma corrida pela vida aqui, em Conselheiro Lafaiete, com mais de 500 inscritos para arrecadar fundos e todos nós hoje, polícia, família, nos sentimos traídos pela conduta desse cidadão”, explicou o delegado Carlos Capistrano.

Nas redes sociais, artistas e jogadores também pediram ajuda para campanha. O goleiro Victor, do Atlético-MG, doou uma camisa para ser leiloada. “É um sentimento de qualquer um, um sentimento de revolta, de tristeza, de lamentação (…) A que ponto chega a maldade, a falta de amor no coração do ser humano… Então realmente é algo que, quando eu recebi a notícia, foi algo muito chocante, algo bastante frustrante, foi algo… triste, mas felizmente foi descoberto aí e tenho certeza que vai pagar por isso”, disse o jogador.

A família deixou de fazer a campanha desde junho, quando conseguiu na Justiça o direito de receber do Sistema Único de Saúde (SUS) três doses do medicamento.

Com o dinheiro que estava na conta, a compra das outras três doses que ele precisa estavam garantidas, mas, agora, a situação é outra.

Fonte:g1

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